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Entenda como presidente argentino pegou covid-19 após ser vacinado

Presidente havia tomado as duas doses da Sputnik V. Infectologista explica que, nestes casos, a doença se desenvolve de forma leve

03/04/2021 17h55
Por: Redação Fonte: R7
 Juan Mabromata/REUTERS - (Foto: Juan Mabromata/REUTERS)
Juan Mabromata/REUTERS - (Foto: Juan Mabromata/REUTERS)

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, testou positivo para covid-19 mesmo após ter recebido as duas doses da vacina russa Sputnik V, conforme anunciado neste sábado (3). Com sintomas leves, o mandatário chegou a registrar 37,7 graus de febre e dor de cabeça.

De acordo com o infectologista Renato Kfouri, diretor da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações) e membro do Comitê Técnico Assessor do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, isso é possível porque nenhum dos imunizantes testados contra o coronavírus é 100% eficaz.

No caso da Sputnik V, desenvolvida pelo Instituto Gamaleya, na Rússia, a eficácia comprovada para a prevenção da covid-19 é de 91,6%. Por isso, segundo Kfouri, a imunização não dispensa o uso de máscaras.

"Há pelo menos três razões que justificam o uso da máscara após a segunda dose: as vacinas não são 100% eficazes, então é possível ainda contrair a doença. Mesmo que não seja grave, pode causar mal-estar; não existem demonstrações inequívocas de que as vacinas são capazes de prevenir a transmissão, então o indivíduo vacinado pode não adoecer, mas vai transmitir para outros”, afirma.

Durante os testes da fase 3 dos estudos clínicos da Sputnik V, etapa em que é avaliada a eficácia do imunizante, houve 16 casos sintomáticos de covid-19 entre as pessoas que receberam a vacina, segundo divulgou o Instituto Gamaleya.

O Ministério da Saúde da Argentina informou que o presidente está entre menos de 0,2% dos vacinados do país que contraíram covid-19. A ministra Carla Vizzotti disse que os dados estão sendo analisados pelo governo.

Segundo o painel de vacinação do La Nación, um dos principais jornais argentinos, até agora 3.495.125 (7,7%) de pessoas receberam a primeira dose da vacina e 683.771 (1,5%) tiveram aplicada a também segunda dose do imunizante contra a covid-19. Ao todo, o país vizinho teve 2.373.153 infectados pela doença, tendo perdido 56.023 vidas.

Sputnik V no Brasil

A União Química, farmacêutica que representa a vacina russa no Brasil, já encaminhou à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) dois pedidos para a liberação do uso emergencial do imunizante, sendo que o último foi enviado no dia 26 de março.

Em nota divulgada na última quinta-feira (1º), a Anvisa afirmou que a empresa ainda não enviou a documentação completa para a análise do segundo pedido, o que resultou na suspensão do prazo de resposta referente à autorização.

A primeira solicitação foi rejeitada pela agência em 16 de janeiro, porque a União Química não enviou os documentos necessários para a continuidade da análise.

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