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Uso de máscara e reuniões virtuais exigem cuidados especiais com voz

Uso da proteção contra covid, faz pessoas falarem mais alto e pode causar danos. Veja dicas para se manter protegido e com voz boa

27/04/2021 02h05
Por: Redação Fonte: R7 - Carla Canteras, do R7
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

A pandemia do novo coronavírus fez com que a máscara virasse item obrigatório no dia a dia das pessoas. Mas o uso do método de prevenção fez com que muitos passassem e falar mais alto para serem ouvidos e entendidos.
Para Fernao Bevilacqua Alves da Costa, otorrinolaringologista do BP - Beneficência Portuguesa de São Paulo, a reação é espontânea do ser humano.
"É meio que intuitivo a pessoa forçar mais a laringe para dar uma intensidade maior para voz e todos ficam praticamente gritando o tempo todo. Com isso cansa mais rápido e a rouquidão ficou mais comum", diz o médico 

A fonoaudióloga Thays Vaiano, vice-coordenadora do departamento de voz da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, acrescenta que a falta de leitura labial aumenta o problema. 
"Todo mundo que conversa face a face tem uma porcentagem do entendimento que é feita por meio da leitura labial. Perdemos essa referência. Com isso, virou normal: 'o que você falou, não entendi?' Sempre quando alguém não entende o que falamos, nossa tendência é falar mais alto", alerta a especialista 

Mas as máscaras transparentes não são recomendadas. Elas não apresentam a mesma eficácia contra a covid-19, como as de pano, PFF2 ou cirúrgicas.
"As máscaras de acrílico e transparentes que foram lançadas não protegem como as de pano ou descartáveis, com duas e três camadas. Elas não são indicadas para que a pessoa se sinta protegida e, ao mesmo tempo, compreendida. O Conselho Federal de Fonoaudiologia não recomenda o uso", explica Vaiano 

Já que a máscara deve ser usadas ainda por um bom tempo, os especialistas dão dicas de como cuidar da voz, da garganta e estar protegido contra o SARS-CoV-2. A primeira delas é a hidratação. 
"Tem de se manter hidratado ao longo do dia, muito mais do que antes. Beber bastante água vai levar mais tempo para a pessoa entrar em fadiga, ou até mesmo nem entrar em fadiga vocal", ressalta a fonoaudióloga 

Bevilacqua lembra que estar com a proteção não pode ser desculpa para não beber água. 
"Está com a máscara? Vá a um ambiente seguro, tire a máscara e beba água. Não é a água que está passando pela laringe que hidrata, o corpo mostra que estamos hidratados", diz o otorrinolaringologista 

Outra recomendação dos especialistas é evitar ao máximo gritar. Para ajudar na missão, Thays explica:
"Não precisamos elevar tanto o volume da voz, se articulamos melhor as palavras e falar mais pausadamente. Mesmo que seja um pouco exagerado, abra mais a boca para articular melhor as palavras, vai contribuir no entendimento do outro. Muitas vezes vamos ter de repetir o que falamos, e assim conseguimos melhorar a percepção do outro, perdida pela falta da leitura labial."

Alguns profissionais tiveram ainda mais dificuldade com o uso da prevenção. No caso dos professores, a indicação é usar aparelhos que ajudem a não forçar a voz. 
"Usar um microfone por ajudar muito. Não adianta o professor tentar compensar abafamento gritando, porque vai acabar causando problema. Uma vez que ele vai usar excessivamente a voz por um longo período", afirma Fernão

O uso de face shield (proteção de acrílico) por profissionais de saúde foi mais um agravante entre médico e enfermeiros, que já vivem uma fase exaustiva na pandemia. 
"Com o face shield piora muito, já que a voz bate na proteção e volta. Médicos e enfermeiros têm duas barreiras de som e, no caso deles, é ainda pior. Então tem de falar mais pausado", salienta Tahys

O descanso quando possível também é fundamental para evitar a fadiga. 
"Fazer o máximo possível de descanso da voz ao longo do dia. Se chegar em casa e ficar o tempo todo falando, a laringe não vai aguentar, é um músculo se forçar muito machuca", diz o médico

A boa notícia é que tem como viver bem com máscara e seguir com vida saudável também na voz. 
"Existem alguns exercícios que são indicados por fonoaudiólogos que melhoram a fadiga. Que funcionam como uma massagem das cordas vocais e na musculatura cervical. Melhoram a condição de cansaço e esforço", explica a especialista. 

Que salienta: "O problema de voz não pode durar mais que uma semana, porque se tornar um distúrbio vocal. Os danos podem ser maiores. Existem formas saudáveis de falar mais alto, sem a pessoa se machucar. É importante procurar e ficar atento à voz, porque muitas vezes são problemas simples e com duas sessões de treinamento já é possível a pessoa ter uma boa recuperação" 

Além das máscaras, dois outros fatores, que se tornaram comuns na pandemia, também podem gerar consequências na garganta e voz dos indivíduos: as reuniões on-line e a intubação

A fonoaudióloga explica que aumentou a procura de profissionais que trabalham em casa, participam de reuniões virtuais e apresentam problemas vocais. 
"Nosso cérebro busca reconhecer padrões. Quando entramos em uma sala com 20 pessoas, o cérebro lembra que reunião com muita gente é necessário falar mais alto. Mas estamos vivendo uma realidade diferente, não precisamos gritar. O microfone faz a captação de voz. O indicado é usar os fones com microfones, assim a pessoa consegue se controlar melhor", explica Thays

No caso de intubação, os problemas são mais raros, já que os casos mais longo do uso do procedimento é recomendado fazer uma traqueostomia e, assim, evitar os danos na laringe. 
Porém, o médico garante que as consequências causas pelo tubo têm como serem resolvidas com tratamento.
"Após a intubação, os pacientes recebem o tratamento de fonoaudiologia e otorrinos. Mas seja qual for o problema com a intubação, no caso da laringe e cordas vocais é reversível. Não precisa ter medo da intubação. Nenhum médico intuba alguém que não precisa. Trata a covid e depois cuidamos das cordas vocais e da laringe", afirma Fernão

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